Cuidados: Cuidados: Plantas

Cuidados: Cuidados: Plantas

Se gosta da ideia de ter plantas belas e naturais no seu aquário mas tem receio de que seja muito complicado, então descanse, pois, além de ser fácil manter plantas, estamos aqui para o acompanhar a cada passo. Ter plantas é um hobby por si mesmo, e acrescenta todo um mundo de interesse aos nossos aquários.

Em primeiro lugar devemos entender as enormes vantagens em ter plantas:

  • As plantas consomem elementos poluentes, como amónia e nitratos
  • Fornecem oxigénio
  • Proporcionam abrigo, tanto aos peixes, como a todo um conjunto de micro-organismos benéficos ao aquário
  • Ajudam a diminuir as algas
  • Embelezam o aquário!

Do que necessitam

De um modo abrangente as plantas necessitam apenas de três coisas: Luz, Nutrientes e um Solo adequado.

Luz

As plantas requerem luz como fonte de energia para a fotossíntese e para crescerem saudáveis.

Independentemente da tecnologia de iluminação escolhida (LED's, Fluorescentes, etc), existem alguns pontos que deverá ter em consideração quando adquirir uma luz para plantas:

  • Nem todas as plantas são iguais. Algumas requerem luz intensa e directa, enquanto outras preferem luz mais fraca e indirecta.
  • Ao adquirir uma luz procure por um bom índice de radiação fotossintética (PAR). Quando esta informação não estiver disponivel, procure pelo índice de Lumens.
  • As plantas preferem espectros completos, com foco nas cores vermelha e roxa, mas isto é algo secundário. Foque-se em obter uma tonalidade de cor branca que lhe agrade á vistam entre 5000k e 8000k.
  • Procure sempre ter a luz ligada a um temporizador automático, de forma a acender e apagar automaticamente em períodos certos. Os períodos de iluminação são geralmente entre 6 a 12 horas, podendo variar conforme a necessidade.
  • Deverá ter em consideração que a eficácia de uma luz depende também da distância entre ela e as plantas. Considere a altura do aquário, a distância da luz e o nível da água, e a distância entre o nível da água e o fundo do aquário. A água tem a capacidade de dissipar muita luz, tendo esta mais dificuldade em chegar ao fundo, quanto mais água tiver que atravessar.
  • Se possível tenha um regulador de intensidade para aumentar ou diminuir a força da luz quando necessário.
  • Posicione as plantas sob a luz considerando os seus requisitos. É boa ideia posicionar as plantas mais exigentes directamente sob o foco da luz, e as menos exigente, mais para as extremidades
  • Tenha atenção a possiveis sombras que venham a obstruir luz. Seja através de decorações, plantas mais altas a sobreporem-se ás mais baixas, plantas flutuantes a bloquearem a luz para o fundo do aquário e sujidades acumuladas em tampas de vidro e na própria luminária.


Nutrientes

As plantas necessitam de nutrientes para se desenvolver, crescer e realizar a fotossíntese. Estes nutrientes são extraídos da coluna de água e do solo, estando muitas vezes presentes nos aquários, de forma natural, através da alimentação processada pelos nossos animais e outros micro organismos. Podemos dividi-los em três grupos:

Macro Nutrientes - Elementos básicos, necessários em grande quantidade:

  • Nitratos
  • Fosfatos
  • Potássio
  • Magnésio
  • Enxofre
  • Cálcio

Micro Nutrientes - Elementos muito importantes mas necessários em menor quantidade:

  • Ferro
  • Zinco
  • Boro
  • Cobre
  • Cloro
  • Molibdénio

Elementos não minerais - Geralmente disponíveis naturalmente na água e atmosfera:

  • Hidrogénio
  • Oxigénio
  • Carbono (CO2)*

*Dependendo das plantas, estas podem necessitar de injecção de CO2, embora na grande maioria das situações, esta adição actue mais como um suplemento para crescimento rápido, do que como uma necessidade.


Solos

A maioria das plantas alimentam-se através das raízes, e de forma a desenvolverem-se e absorver correctamente os nutrientes, necessitam de um solo adequado.

De um modo geral, desde que não escolha um solo com grânulos muito grandes, como por exemplo pedras de rio, e cascalhos grossos, é bem provável que consiga ter sucesso em ter plantas com a maioria dos areões e substratos disponiveis para aquáriofilia. É até possivel utilizar terra de jardim. No entanto é de evitar, pois corre o risco de soltar muitos detritos poluentes para a água. Muitos utilizam também areia de praia ou rio, no entanto é necessário estar consciente que podem conter poluentes ou elementos indesejados, como microorganismos, sal e detritos orgânicos. Se optar por estes solos sugere-se que passe por uma fervura e por água diversas vezes antes de introduzir no aquário.

Podemos dividir os solos para aquário em dois tipos: Substratos Activos e Substratos Inertes.

Os Substratos activos representam solos que, pela sua composição, alteram as características da água. Seja a dureza, acidez, alcalinidade, ou capacidade de libertarem nutrientes e minerais, estes solos são utilizados muito regularmente com finalidades especificas, inclusive para aquários plantados.

Os Substratos Inertes são solos que não alteram as características da água, podendo ser utilizados de uma forma mais abrangente. De notar que, no que diz respeito a plantas, estes, á partida não irão conter qualquer tipo de nutrientes úteis ao seu desenvolvimento.

Quando desejar adquirir um substrato para as suas plantas é aconselhável que procure por substratos específicos para elas, que contenham os nutrientes necessários e tenham as melhores dimensões e características para o seu crescimento.


Que plantas escolher?

Podemos dividir as plantas aquáticas em 4 categorias:

  • Plantas que se alimentam através das raizes
  • Plantas que se alimentam através de rizoma
  • Plantas Flutuantes
  • Musgos

As plantas que que se alimentam através das raizes constituem a maioria, e necessitam de um solo adequado. quando necessário algumas destas plantas brotam raízes através dos caules, que utilizam para retirar nutrientes directamente da água, no entanto a maioria dos nutrientes são absorvidos pelas raízes da base, que podem expandir-se bastante por baixo do solo. De um modo geral estas plantas crescem mais em altura e mais rapidamente que plantas de rizoma. Algumas plantas deste tipo são por exemplo Cryptocorines, Echinodorus, Valisnérias e Hygrophilas.

Plantas de Rizoma são plantas que possuem raízes mas a parte responsável pela absorção da maioria dos nutrientes é o rizoma, que é a parte mais "carnuda" da planta. Este obtém o que necessita directamente da coluna de água. Poderá introduzi-las no aquário simplesmente prendendo-as de alguma forma a decorações, troncos, pedras, ou mesmo no solo, com atenção para nunca enterrar ou sufocar de alguma forma o rizoma. De um modo geral o seu crescimento é horizontal e dele rebentam continuamente tanto as folhas como as raízes. São tipicamente boas escolhas para iniciantes devido aos baixos requisitos de luz e nutrientes e crescimento lento e controlado. Exemplos de plantas deste género são Anubias, Fetos e Bucephalandras.

Plantas Flutuantes, tal como o nome indica, permanecem na superfície da água, com as suas folhas emersas e as raízes submersas. São óptimas em extrair nutrientes da própria água. No entanto deverá ter em consideração que, ao multiplicarem-se em demasia, estas podem obstruir a luz que chega ás plantas que estão mais abaixo. Exemplos de plantas deste tipo: Lemna, Limnobium, Pistia e Salvinia.